sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Quadriciclos destroem ninhos de tartaruga e causam estragos ao meio ambiente de São Miguel do Gostoso



Por Emanuel Neri
Imagine praias paradisíacas, como a de Tourinhos, com sua falésia milenar, cuja praia é considerada uma das mais bonitas do Brasil. Imagine também um santuário de ninhos de tartarugas, que reproduzem, todos os anos, ao longo da orla, milhares de tartaruguinhas novas, completando assim um dos ciclos de vida mais bonitos da natureza.
Pois toda esta riqueza natural de São Miguel do Gostoso está sendo ameaçada de destruição. E um dos fatores que ameaçam a devastação do meio ambiente local são veículos motorizados, principalmente quadriciclos (foto acima) que, diariamente, trafegam irresponsavelmente sobre as dunas destas praias, destruindo tudo.
São Miguel do Gostoso está diante de um grande desafio. Ou o município e seus moradores controlam com rigidez o tráfego destes veículos sobre dunas, falésias e, muitas vezes, sobre os ninhos de tartarugas, destruindo-os, ou todo este patrimônio natural vai acabar. E se acabar este patrimônio, é o fim também do turismo local.
De todos os veículos que cometem esta selvageria contra a natureza, o que causa mais impacto destrutivo são os quadriciclos, até por serem em maior número. Há  proprietários de quadriciclos na cidade que alugam estes veículos para turistas, com o aluguel sendo feito sem controle. É comum ver crianças dirigindo estes veículos.
Nos últimos dias, tem sido frequente o registro de ninhos de tartarugas destroçados por pneus de quadriciclos. Integrantes da Amjus, que monitora o uso de tartarugas no litoral de São Miguel do Gostoso, tem feito fotos destes ninhos com marcas de pneus, alguns destes ninhos destruídos. Estas imagens são divulgadas pelas redes sociais.   
No início desta semana, reunião para tratar do SOS Tourinhos – movimento com o objetivo de salvar aquela praia da ação destruidora de veículos – chegou a admitir a possibilidade de limitar o uso de quadriciclos. E uma das propostas é que este tipo de veículo só possa trafegar com guias – neste caso, ficaria proibida sua locação.
No caso dos quadriciclos “puxados” por guias, haverá menos danos à natureza. É que estes veículos circulariam apenas nas trilhas que foram autorizadas por órgãos do meio ambiente, entre eles Idema e Patrimônio da União. Estas trilhas correm por trechos em linha reta, fora dos ninhos de tartarugas, sem grandes danos à natureza.
Esta proposta vai ser levada para o Conselho de Turismo e, na sequência, para avaliação da Prefeitura. No caso de aprovação, os quadriciclos circulariam exclusivamente por trilhas e sempre com guias. Já há empresas de quadriciclos na cidade que trafegam por estas trilhas, em espécie de comboio, sempre com guias.
Além de evitar tráfego sobre ninhos de tartarugas e outras áreas ambientais protegidas por lei, como restinga, bastante comum no litoral de São Miguel do Gostoso, o esquema de guadriciclos “puxados” por guias também evitaria acidentes – de quem está dirigindo e de pessoas na praia -, além de proteger mais o veículo.
Proprietários de quadriciclos reclamarem da falta de cuidado de quem aluga estes veículos, sendo comum a ocorrência de problemas mecânicos. É necessário que algum tipo de ordem seja dado no uso dos quadriciclos. Originalmente eles podiam ser usados só em propriedades rurais, sem permissão de uso em ruas, estradas e praias.
Mais recentemente, autoridades de trânsito decidiram regularizar o uso de quadriciclos. Embora a Prefeitura de São Miguel do Gostoso tenha criado programa para legalizar estes veículos, até agora praticamente todos os quadriciclos usados para locação na cidade continuam irregulares. Assim fica tudo muito mais difícil.
Tem mais. Aproveitando-se da total falta de disciplina no trânsito de quadriciclos em São Miguel do Gostoso, proprietários destes veículos costumam chegar à cidade com enormes carretas transportando quadriciclos. Em seguida, eles invadem as praias e fazem da orla da cidade uma enorme pista de corridas deste tipo de veículo. Isso também é muito grave.   

Ordem na desordem
O fato é que São Miguel do Gostoso precisa por ordem na desordem dos quadriciclos. Do jeito que eles funcionam não dá mais para continuar. A Prefeitura tem dado alguns passos para pelo menos proibir que quadriciclos – e outros veículos tracionados - continuem subindo na falésia de Tourinhos, acelerando seu processo de destruição.
Na semana passada, o prefeito de São Miguel do Gostoso, Renato de Doquinha, decidiu ampliar o número de manilhas que tentam impedir o acesso à falésia de Tourinhos. Embora já existam manilhas no local, proprietários e pessoas que alugam  quadriciclos abriram espaço, entre as pedras locais, para poderem subir na falésia.
É grave o que está acontecendo com o uso desordenado dos quadriciclos em São Miguel do Gostoso. Prefeitura e moradores, além do SOS Tourinhos, precisam tomar providências urgentes que pare a selvageria que está ocorrendo em toda a orla. Se isso não ocorrer, será o fim dos ninhos de tartarugas, das dunas e da falésia de Tourinhos.
E será também o fim do turismo de São Miguel do Gostoso.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

São Miguel do Gostoso lança "SOS Tourinhos" e fará ato dia 5 de junho para salvar aquele rico patrimônio



Por Emanuel Neri
São Miguel do Gostoso tem um tesouro que precisa urgentemente ser preservado. Se não preservar, o município corre sério risco de perder um dos principais patrimônios que a natureza lhe presenteou.
Este tesouro se chama Praia de Tourinhos, considerada uma das praias mais bonitas do Brasil. Tudo em Tourinhos é muito especial. A longa enseada que forma a praia, o coqueiral, o mar manso, o chamado “suspiro da baleia” e, principalmente, uma falésia milenar formada por dunas petrificadas(foto acima).
Pois tudo isso corre o risco de acabar devido ao turismo selvagem que tomou conta de Tourinhos. Quem mais sofre com esta selvageria é a belíssima falésia que embeleza aquela praia. Diariamente, em especial no verão, dezenas de quadriciclos, motos e bugues sobem de forma irresponsável a falésia, degradando aquele patrimônio milenar.
É para dar um basta nesta morte acelerada de Tourinhos e de sua falésia de dunas petrificadas, cuja formação geológica tem mais de dois mil anos, que a sociedade civil de São Miguel do Gostoso criou o “SOS Tourinhos”, iniciativa que tem como objetivo acabar com a selvageria que está ocorrendo naquela praia e na sua falésia.
Várias iniciativas integram o “SOS Tourinhos”, entre elas ações educacionais que conscientizem a população a preservar aquele paraíso. Mas a principal delas é um ato que ocorrerá naquela praia no próximo dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. Ongs, Prefeitura, Conselhos Municipais, escolas – todos participarão deste ato.
A degradação de Tourinhos começou com o crescimento do turismo em São Miguel do Gostoso. Até então aquele paraíso era praticamente intocável. Com a chegada do turismo, inicialmente bugues e carros tracionados e, depois, motos e quadriciclos começaram a trafegar loucamente pela beira daquela praia e, mais grave ainda, subir a falésia.
São motoristas irresponsáveis que não têm a menor conscientização ambiental e muito menos qualquer preocupação com a preservação de Tourinhos.
Cada veículo que sobe na falésia arrasta uma quantidade considerável de areia e pedras. O resultado é que a falésia está diminuindo de tamanho. Um marco posto pela Petrobrás sobre a falésia, há mais de 30 anos, é o símbolo maior desta degradação. Em torno de 1,5 metro do marco já é visível acima do nível da terra.
Este é o maior sinal de que areia e pedras que antes formavam a superfície da falésia estão sendo permanentemente arrastadas pelos quadriciclos e veículos que sobrem ali. No ano passado, prefeitura e moradores de São Miguel do Gostoso colocaram manilhas com pedras para que os carros não pudessem subir na falésia.
Pois motoristas irresponsáveis abriram um caminho alternativo ao lado das manilhas, para que seus veículos continuassem subindo a falésia. O estrago por este dano ambiental também pode ser creditado a donos de empresas de quadriciclos, que não tem a menor preocupação com a preservação com aquilo que todos deveriam cuidar.
Outro agravante do Tourinhos é a falta de infra-estrutura em torno das barracas que existem na praia. A higiene ali é precária, não existindo sequer um único banheiro para o uso dos turistas que frequentam o local. O número de barracas há muito extrapolou o limite definido pela Prefeitura, Idema e Ministério Público para o local.
Inicialmente foi definido que existiriam apenas cinco barracas de alimentos na praia do Tourinhos. Hoje existem quase dez. Com este número é impossível por ordem no funcionamento daquelas barracas. Ministério Público e Idema também impõem determinadas exigências que dificultam muito uma solução para aquele problema.
O fato é que, diante de tantos problemas, Tourinhos agora pede socorro para não sucumbir diante de tanta degradação. E o Conselho de Turismo de São Miguel do Gostoso, em reunião nesta terça-feira (7/2), resolveu abraçar a ideia do “SOS Tourinhos” e mobilizar a população para salvar o que ainda é possível naquela praia.
O “SOS Tourinhos” é uma ótima iniciativa que tem como objetivo salvar o maior patrimônio natural de São Miguel do Gostoso. Agora é importante que toda a população abrace esta ideia e participe deste ato do dia 5 de junho. Se Tourinhos não for preservado, todo o turismo local corre o risco de sofrer sérios danos e também acabar.    

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Fotos em exposição no Iasnin revelam emoções e sonhos de moradores de São Miguel do Gostoso



Por Emanuel Neri
Já imaginou o rosto de dezenas de pessoas que vivem em São Miguel do Gostoso em uma exposição de fotografia feita por fotógrafos profissionais?
Pois é exatamente isso que você vai ver na exposição que será realizada entre os dias 24 e 25 de janeiro, entre 14 e 21h, no Iasnin (Instituto de Ação Social Nilo e Isabel Neri), no centro de São Miguel do Gostoso.
São 60 fotos de pessoas que moram na cidade e que serviram de modelo para fotógrafos de pelo menos dez estados brasileiros.
O projeto, que tem o apoio da Pousada dos Ponteiros, foi iniciado em 2015. O fotógrafo profissional Wellington Fugisse escolheu São Miguel do Gostoso para um curso de fotografia que captasse a “alma da cidade”. De lá para cá, foram 11 turmas de fotógrafos que exercitaram sua técnica fotografando personagens locais.
Tem de tudo nesta reveladora exposição de fotografia.
Pescadores conhecidos da cidade, agricultores, mães com seus filhos no colo (foto acima), rendeiras e até a Manuzinha Melo, a Manu da Cocada, que ajuda a família vendendo cocadas na cidade. As lindas fotos feitas por Fugisse e seus alunos levaram a Intertv Cabugi (Globo de Natal) a fazer uma reportagem especial sobre o sonho de Manu de se transformar em modelo fotográfico.
Com a reportagem, Manu da Cocada emocionou muita gente. Sua história ficou conhecida no Rio Grande do Grande do Norte e no Nordeste.
Assim como Manu da Cocada, você vai reconhecer muitas outras pessoas da cidade que passaram pelas lentes dos alunos de Fugisse. “Ao fotografar moradores, os nossos fotógrafos ampliaram sua percepção de beleza que existe na simplicidade”, afirma Fugisse.
Segundo o fotógrafo que está organizando esta exposição do Iasnin, São Miguel do Gostoso foi escolhida para ser a sede do seu projeto, chamado Arte de Viver, “por ser um ambiente favorável à reflexão. O lugar é calmo, sereno e muito belo”, diz Fugisse.
Desde o início do trabalho de Fugisse, em 2015, os cursos de fotografia são realizados na Pousada dos Ponteiros. Os alunos tem inicialmente aulas teóricas. O passo seguinte, as aulas práticas, incluem fotografias de ambientes internos e externos da pousada.
Depois, estes fotógrafos saem em busca de personagens nas praias ou nas ruas de São Miguel do Gostoso. O resultado é sempre muito bom.
O resultado deste trabalho é belíssimo. Quem for a esta exposição do Iasnin vai se emocionar com as lindas imagens de moradores de São Miguel do Gostoso. São idosos, jovens e crianças que posaram para as lentes de fotógrafos que integraram estes cursos de Fugisse.
As histórias destas pessoas fotografadas são contadas pelas próprias fotos desta exposição: o rosto vincado marcado pela idade avançada, a habilidade de pescadores e de outros profissionais, a beleza exuberante de Manuzinha que vende cocada, mas que sonha em algum dia se transformar numa reconhecida modelo fotográfico.
A exposição coordenada por Wellington Fugisse fala da realidade, mas também embala sonhos destas pessoas fotografadas.
Quem quiser conhecer parte desta bela história de moradores de São Miguel do Gostoso é só comparecer ao Iasnin, nestes dias 24 e 25 de janeiro, terça e quarta-feira próximas.
Vá se emocionar com caras conhecidas da cidade – talvez você encontre o seu rosto  em uma destas belas 60 fotos da exposição Arte de Viver.
  

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

"Gostoso Recicla" inicia coleta de lixo reaproveitável. Iniciativa é de moradores de São Miguel do Gostoso



Por Emanuel Neri
Sabe aquele resíduo sólido doméstico que pode ser reaproveitado e que, por causa desta sua característica, é chamado de lixo reciclável?
Fazem parte deste lixo qualquer tipo de vidros e garrafas, caixas e papelões, metais, além de latinhas de cerveja, de refrigerantes e de conservas. Pois tudo isso agora pode ser reaproveitado em São Miguel do Gostoso. O projeto chama-se Gostoso Recicla - inicialmente, a coleta é feita em restaurantes e pousadas da cidade.
O dinheiro arrecadado com a venda deste produto será revertido em benefício da população carente que participa da coleta deste material. O Gostoso Recicla foi para as ruas graças ao esforço de um grupo de moradores. Mas quatro pessoas estão no comando da operação: Rai Veiga, Rita Luziet, Virna Vianello e Luziane Ferreira.
Numa fase mais adiante, o Recicla Gostoso vai se estender também às residências. Mas quem quiser já pode aproveitar os dias em que o caminhão do Recicla Gostoso passa pelos bairros da cidade para coletar o lixo reciclado de pousadas e restaurantes e também reciclar seu lixo que pode ser reaproveitado em reciclagem.
Para se integrar ao Gostoso Recicla, basta ligar para o celular (84) 992211881 para saber o dia certo da coleta em seu bairro. Falar com Luziane.
Este é um grande projeto que merece o apoio de toda a população. Além de beneficiar parte dos coletores que recolhem o lixo, o Recicla Gostoso retira grande parte do lixo que teria que ser recolhido pelos caminhões da Prefeitura. Acredita-se que, com a coleta reciclada, em torno de 50% do lixo deixa de ir para o “lixão”.
O lixo reciclável pode ser depositado em tambores coloridos (veja foto acima), com cada cor destinada à coleta de um tipo de lixo. Esta fase não chegou ainda às ruas São Miguel do Gostoso, embora algumas pousadas já tenham seus recipientes coloridos para separarem seu lixo. Numa segunda fase, estes tambores também podem ser colocados nas ruas da cidade para que a população deposite ali seu lixo reciclável.
Muita gente está ajudando o Gostoso Recicla. O caminhão que passa pelas ruas coletando o lixo é fornecido por Sérgio Teixeira. O lixo coletado é levado para uma antiga casa de farinha da cidade, construída em área da Fazenda Ana Maria. Esta casa de farinha foi cedida ao Recicla Gostoso pela Associação dos Agricultores local.
Todo o lixo reciclado é comprado por cooperativas de Natal especializadas neste tipo de material. Uma delas é a CoopCicla, mas há uma outra chamada Brasil Limpo. Já o vidro pode ser comprado pela cooperativa “Glass is Good” (vidro é bom, em inglês), que participou da coleta de garrafas durante as festas do Reveillon do Gostoso.
Reciclar e coletar lixo é fácil. Basta separar tudo quanto pode ser reaproveitado (vidros, papelão, metais e latas) e esperar o dia da coleta. Oito pessoas pobres da comunidade já estão participando desta operação de coleta, que é coordenada por Luziane Ferreira. Mais coletores  serão incorporados à operação do Recicla Gostoso.
O Recicla Gostoso priorizou pousadas e restaurantes por serem setores que produzem mais este tipo de lixo. Responsáveis por pousadas e restaurantes foram treinados e orientados sobre como recolher este tipo de lixo e informados do dia da coleta. O mesmo será feito, em uma fase ampliada, com residências da cidade.
Várias ONGs também participam do Recicla Gostoso. A principal delas é a CDHEC. Outra é o Iasnin, que já orientou jovens, nas escolas, sobre como tratar o lixo de forma adequada, inclusive com informações para reaproveitar o lixo reciclado. A ideia é que estes jovens transmitam a seus pais esta noção do reaproveitamento do lixo.
Para auxiliar o Recicla Gostoso, o Iasnin pretende realizar cursos sobre a construção de composteiras em residências e pousadas. A ideia é que o lixo orgânico – restos de frutas e legumes, folhas e galhos pequenos de árvore – possam ser transformados em adubo a partir do método da compostagem, reaproveitando este material orgânico.
O Recicla Gostoso é um projeto que vem para melhorar a qualidade de vida de São Miguel do Gostoso. E isso se dará em várias frentes. Uma delas são os coletores, que se beneficiarão da venda do material reciclado. Outra é a diminuição significativa do lixo coletado pela Prefeitura, reduzindo assim o crescimento do lixão.
Participe do Recicla Gostoso, que vai inserir São Miguel do Gostoso em um novo patamar de modernidade do tratamento do seu lixo.