quinta-feira, 12 de abril de 2018

Rally 1500 larga em São Miguel do Gostoso, mas velocidade e ruído de motores geram reclamação



Por Emanuel Neri
Foi uma noite de roncar de motores insuportáveis e veículos trafegando em alta velocidade pelas praias e ruas de São Miguel do Gostoso. Um tipo noite dos horrores.
Assim foi a noite da quarta para quinta (11 e 12/4), provocada pela 20ª edição do Rally RN 1500 (foto acima), iniciado em São Miguel do Gostoso e que percorrerá 860km em quatro dias. A competição, que faz parte do circuito nacional de rallys,terá pernoites em Açú e Currais Novos e termina, domingo, na cidade de Bom Jesus.
Embora a largada tenha sido iniciada nesta quinta, a movimentação de carros e carretas em São Miguel do Gostoso começou na última segunda. Veículos obstruíram o trânsito e estacionaram sobre calcadas. Carretas estacionaram em entradas de ruas, dificultando o acesso de moradores a suas casas.
Passada a largada do Rally 1500, o que sobrou em São Miguel do Gostoso é a certeza de que este evento precisa mudar. Apesar de a Prefeitura ter fechado os olhos para os abusos, houve muitas reclamações de moradores e entidades, como a AEGostoso (Associação de Empresários de São Miguel do Gostoso).
A conclusão da AEGostoso e de muitos moradores e proprietários de estabelecimentos turísticos na cidade, que manifestaram sua opinião pelas redes sociais, é a de que a direção do evento tem que impor regra e disciplina pela direção  para que o Rally 1500 continue sendo bem recebido na cidade.
De um modo geral, ninguém é contra a realização do rally. Mas entende que mudanças na condução do evento têm que ser feitas. O coordenador do evento, Kleber Tinoco, é pessoa sensata e vai saber consertar estes equívocos. Mas é necessário que ele adote medidas para que seu rally não cause tantos transtornos em São Miguel do Gostoso.
Na verdade, os transtornos com o Rally 1500 começaram desde a segunda, quando os veículos começaram a chegar à cidade. Era comum ver motos e “gaiolas”, tipo de veículo de rallys, trafegando em altíssima velocidade e com seus motores causando enorme barulho. Na noite da quarta, tudo foi muito pior.
Durante toda a noite, carros continuavam trafegando pelas ruas em alta velocidade e com motores causando enorme barulho. Diretores da AEGostoso divulgaram, pelas rede sociais, bem depois da meia noite,gravações de áudios com barulhos ensurdecedores. A cidade parecia estar entregue à bagunça.
Mecânicos do rally testavam a potência de seus veículos nas praias, em alta velocidade e provocando grande barulho. Para quem mora nas praias, foi difícil dormir com aquele incômodo.  Mas quem mora nas ruas centrais e bairros também foi prejudicado. Um dos piores pontos foi a avenida dos Arrecifes.
Alguns veículos foram testados por motoristas e mecânicos na estrada entre São Miguel do Gostoso e o distrito de Reduto. Mas, para chegarem à estrada, já trafegavam em alta velocidade na via urbana, tanto na ida para a estrada como no retorno à cidade. Tudo isso precisa ser repensado pela direção do evento.
Na praia do Tourinhos, veículos do rally também foram vistos trafegando em alta velocidade.Tanto no Tourinhos como em toda orla de São Miguel do Gostoso, em especial nas praias urbanas, não houve a mínima preocupação com centenas  de ninhos de tartaruga que existem ao longa de toda a costa local.
São Miguel do Gostoso não é contra a largada do rally na cidade. Mas precisa haver ordem e disciplina. Por exemplo: a direção do evento ou a Prefeitura deveriam alugar uma fazenda, na área rural, para que os testes dos motores dos veículos possam ser feitos sem perigo e longe dos ouvidos dos moradores.
No próximo ano haverá mais uma edição do Rally RN1500. É muito importante que medidas disciplinares sejam adotadas. Desta vez, felizmente, não houve acidentes. Mas a velocidade com que estes veículos trafegavam nas ruas e nas praias poderia ser fatal para  acidentes graves com pessoas e animais.
É este tipo de risco que São Miguel do Gostoso quer evitar.
Também tem que acabar o incômodo com o ruído altíssimo dos motores dos veículos e os transtornos generalizados nas ruas de São Miguel do Gostoso. Se isso ocorrer, o Rally 1500 continuará sendo bem recebido pelos moradores e pelo setor de turismo da cidade.
Abaixo, notícias na imprensa sobre o Rally RN 1500.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Juiz manda prender Lula sem esperar recursos. Decisão pode mergulhar Brasil em grande crise



Por Emanuel Neri
São 16h30 da sexta-feira, dia 6 de abril de 2018. Daqui a 30 minutos se encerra o prazo, dado pelo juiz Sérgio Moro, para que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva se entregue à Polícia Federal de Curitiba, para ser preso.
Até este presente momento, não se sabe o que vai acontecer com Lula e com o Brasil.
A ordem do juiz Moro para prender Lula ocorreu no final da tarde da quinta-feira (5/4). Ao que tudo indica foram atropelados ritos legais para a prisão do ex-presidente, confirmada desde que o STF, na noite anterior, quarta-feira, por 6 votos a 5, negou o habeas corpus que garantia a liberdade de Lula.
A decisão sobre a prisão de Lula pode mergulhar o Brasil em uma crise política sem precedentes. O país vive momentos de incerteza.
Aliados do ex-presidente – e eles são quase a metade de todo o país, já que Lula lidera a disputa para a eleição de presidente, este ano, com cerca de 40% de preferência do eleitor – discordam dos métodos da condenação de Lula. E por este motivo prometem resistir à ordem de prisão ordenada pelo juiz.
De fato, juristas brasileiros e do exterior apontam para a falta de fundamentos jurídicos para a condenação de Lula a 12 anos de prisão. O motivo da condenação é um apartamento triplex que o ex-presidente teria recebido da construtora OAS, na praia do Guarujá, em São Paulo.
Ocorre que não há um único documento que comprove que este apartamento pertence a Lula. Pelo contrário. O mesmo imóvel foi recentemente a leilão, determinado pela Justiça de Brasília, para pagar dívidas da OAS. Se o apartamento foi a leilão da empreiteira, como condenar Lula por ter recebido este imóvel?
Este é o motivo principal da revolta, que ameaça tomar conta do Brasil, contra a condenação do ex-presidente. Todos os recursos apresentados pela defesa de Lula, nas instâncias superiores do Judiciário, foram negados. O último foi o pedido de habeas corpus solicitado ao Supremo Tribunal Federal.
Vejam este detalhe. A votação do STF estava empatada, em 5 a 5. E a presidente da Corte, Carmen Lúcia, deu o voto que derrotou o habeas corpus. Não faz muito tempo, em outra votação também empatada no STF, a mesma ministra deu voto que absolveu Aécio Neves (PSDB), acusado de receber R$ 2 milhões de empresário, da perda de mandato no Senado.
São por desigualdades deste tipo, aliada à falta de provas na condenação, que leva os apoiadores de Lula a se manifestarem contra a prisão.  Desde que a prisão foi anunciada, Lula está no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, em São Paulo, cercado por milhares de militantes (na foto, Lula consola fãs) que ameaçam resistir à ordem de prisão.
O que vai acontecer nas próximas horas com Lula e o Brasil não se sabe ainda.
O certo é que a prisão daquele que foi considerado o melhor presidente de toda a história do Brasil – deixou o governo, em 2010, com 78% de aprovação – tem causado perplexidade não só no Brasil como no exterior. O insuspeito jornal The Washington Post , dos EUA, disse que a prisão “mergulha o Brasil no caos político”.
Outros jornais e revistas estrangeiros apontam para o enorme risco que o país corre com a prisão, sem provas documentais, de seu principal líder político. No Brasil, o igualmente insuspeito jornalista Reinaldo Azevedo, ligado a grupos conservadores do país, diz que Lula está sendo “vítima de um processo de exceção”.
Ministros do STF e juristas por todo o país também criticaram a pressa do juiz Moro em pedir a prisão de Lula.
São 17h30 desta fatídica sexta-feira no Brasil.
Até o presente momento, continuamos sem saber o que vai acontecer com Lula e com o Brasil. O ex-presidente continua no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, cercado de admiradores e militantes do PT. E a Polícia Federal diz que há riscos de confrontos se for ao sindicato prender Lula.
Nos links abaixo, repercussão no Brasil e no exterior sobre a ordem de prisão de Lula.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Atentado com tiros a ônibus da caravana de Lula no Paraná revela escalada do ódio e do fascismo no Brasil



Por Emanuel Neri
Ou o Brasil controla a direita raivosa responsável por atos fascistas que têm pipocado, nos últimos dias, em várias regiões do país ou, nos próximos meses, em especial na campanha eleitoral deste ano, viveremos uma carnificina sem precedente na historia brasileira.
Na noite da última terça-feira (27/3) a caravana do ex-presidente Lula, que está visitando atualmente Estados da região Sul do país, foi atacada a tiros em uma estrada do Paraná. Foi um ato covarde que tinha como objetivo assassinar o ex-presidente. Felizmente ninguém saiu ferido.
Os tiros disparados por esta milícia armada, que antes atacava com pedras, paus e ovos podres a caravana de Lula, desde que ela foi iniciada, há uma semana,desta vez atingiram apenas a lataria de dois ônibus (na foto, marcas de tiros no ônibus). Um dos ônibus atingidos levava jornalistas brasileiros e estrangeiros que acompanham a caravana de Lula.
Aonde estes radicais raivosos de direita querem chegar com seus ataques?
O que ocorreu com a caravana de Lula no Paraná foi um atentado político gravíssimo que poderia trazer sérias consequências para o Brasil. E se Lula ou algum jornalista de sua comitiva tivesse morrido, atingido pelos tiros? O Brasil mergulharia numa grande crise política e provável convulsão social.
E o pior é que o atentado a tiros contra Lula contou com a omissão das autoridades federais e do governo do Paraná. O PT havia pedido reforço policial ao ministro Raul Jungmann, da Segurança Pública. O governo do Paraná também foi alertado. Nenhum esquema foi montado para evitar uma tragédia.
As cenas que precederam o atentado a tiros contra a caravana do ex-presidente foram exibidas exaustivamente pelas redes sociais, enquanto a imprensa tradicional, TV Globo à frente, dava um tom de neutralidade e de disputa política a uma tragédia anunciada que aconteceria a qualquer momento.
E esta tragédia por pouco não aconteceu.
Se os criminosos políticos tivessem obtido êxito, seria o segundo crime político em menos de duas semanas no Brasil. No último dia 14 de março, a vereadora negra Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro, foi brutalmente assassinada. Marielle denunciava a violência da policia contra negros e pobres em favelas do Rio.
O crime político está por toda parte. Nem alvos que não são políticos são poupados.
Na tarde da segunda-feira, um ônibus da Viação Catarinense, que levava passageiros de Santa Catarina para o Paraná, foi atacado a pedras e paus. Seus vidros foram quebrados e o ônibus, com passageiros apavorados, teve que parar na estrada. Os bandoleiros pensavam que Lula estava no ônibus.
E o pior é que boa parte dos ataques deste tipo foi presenciada pela polícia do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná sem que medidas repressivas tenham sido adotadas para evitar esta prática de bangue bangue de faroeste. Há relatos de que, em algumas situações, os policiais ficavam sorrindo diante destas cenas de brutalidade política contra a caravana de Lula.
Era o prenúncio de que algo muito mais grave estava para acontecer.
O ódio político sempre aconteceu no Brasil. Foi ele o responsável pelo suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 1954. Mas acreditava-se que a chegada da democracia, depois dos anos sombrios da ditadura militar, fosse acalmar esta fúria. Nada disso aconteceu. O ódio cresceu muitos nos últimos anos no país.
E a última escalada deste ódio ocorreu com a eleição de Lula para a Presidência da República, em 2002. Alguns setores da população jamais aceitaram que um nordestino, de origem muito pobre e sem escolaridade, chegasse à Presidência. Setores do Judiciário e da mídia contribuíram para este ódio a Lula.
Em 2016, com o golpe parlamentar que destituiu Dilma Rousseff da Presidência, este ódio político voltou a crescer. E aumentou de intensidade com a inabalável liderança de Lula no Brasil. Se seus passos não forem injustamente barrados pelo Judiciário - até agora não foram apresentadas provas de atos ilegais do ex-presidente -, Lula se elege novamente presidente.
A direita raivosa e fascista não aceita a volta de Lula ao comando do Brasil. E aí se armou de pedras e paus para atacar o ex-presidente e sua caravana pelas estradas do Sul do país.  Não satisfeita com isso, agora atacou com tiros a mesma caravana, por pouco não provocando uma enorme tragédia nacional.
É claro que, só com a gravidade do atentado, a mídia brasileira se deu conta de que deveria tratar o fato com mais seriedade, dando mais espaço para tratar o crime. O ataque a tiro contra Lula também teve grande repercussão na mídia internacional.
Veja, abaixo, links com repercussão na mídia sobre o atentado político da Lula.